Blogs: webdesign para as massas

Ora, se você pode ter um blog com uma programação de alto nível, layouts variados para escolher, integração com vários serviços gratuitos como Youtube e Flickr, por que você iria querer pagar uma nota para ter um site exclusivo, e ruim? Pode parecer uma pergunta idiota, mas muita gente prefere ter um site ruim, e este é um dilema comum entre os designers: por que cargas d’água os clientes de design tem essa preferência por sites em flash e com umas animações tolas, como se pelo fato de termos uma tela diante de nós um site devesse lembrar a televisão… E parece que muitos não percbem que mesmo na televisão os comerciais não duram mais que 30 segundos. Por que? Por que mais que isso ninguém aguenta, assim como os sites em flash. Invisíveis no google, pesados para carregar (ainda mais com as conexões de banda larga, ou o que se vende no Brasil como banda larga, que prometem 256 kbps e oferecem 20), e com pouca ou nenhuma interatividade.

Por que, então, estes sites ainda são preferidos pelas empresas em Florianópolis e região? Em parte, o problema está na oferta: os designers foram formados em cursos patrocinados pela Macromedia, ou estudaram em faculdades onde os professores foram formados em tais cursos. Quer me deixar irritado? Me mostre um site com banner em flash. Estou lendo o conteúdo e fica aquela imagem piscando e se mexendo no topo da tela… pior ainda aqueles layouts cheios de imagens, como se a tela fosse um painl de espaçonave… ainda prefiro gifs animados, são mais honestos…

A outra fonte de problemas está nos clientes. Não em todos, claro, mas num grupo específico que acha que aquilo que ele gosta é o que necessariamente é melhor para todo mundo. Imagine alguém que tem em casa uma capa de liquidificador combinando com a capa do bujão de gás… que tipo de site agradará a esta pessoa? E sabe o que é pior? Ela vai achar um designer que vai fazer tudo que ela quer, porque “o cliente tem razão”.

Mas nem sempre o cliente tem razão. Você não diz para o encanador qual a bitola de cano ele vai colocar em qual lugar. Ele sabe. Você o contrata porque ele sabe mais do que você, senão você estaria fazendo o serviço. Na verdade a confusão está numa idéia errônea de que estética é uma questão de gosto, e não uma questão técnica como a escolha adequada de bitola de um cano. E, desculpem os que acham que design é arte, estética é também uma questão técnica, pois se trata de linguagem, e linguagem tem sintaxe, e seu domínio é fruto de estudo e trabalho, e não de dom. A subjetividade está presente sim, mas sem reflexão prévia e consciente ela não produz design. Para o designer, os elementos de linguagem visual são aplicados segundo critérios ditados pelo público-alvo, pelo produto a ser divulgado, pela linguagem visual dominada por este público, e pela necessidade de comunicar um conteúdo definido. Não há muito espaço para o “gênio” aqui.

Então, por que não aproveitar a existência de ferramentas disponíveis na web para construir blogs e websites editáveis, dinâmicos, capazes de transmitir muito conteúdo, visíveis no google, etc, pagando muito menos que por um site que vai ser o orgulho da mamãe, mas não vai trazer nenhum cliente até a loja. Mas para isso dar certo é preciso ter conteúdo. Eis aí, como diria o bardo, o obstáculo. Conteúdo. Quem tem isso? Empresas de visão são poucas…

Se a sua é, então dê uma olhada nisso aqui.

Gustavo Brum