Fotografia

    Já me disseram que era preconceituoso quando disse que a fotografia digital deu a todos o direito de serem fotógrafos medíocres, mas eu reafirmo que se trata, isso sim, de um “pós-conceito”. Nada contra a tecnologia, eu tenho uma boa câmera digital e a uso muito. Ela me permite obter resultados rápidos, e para a maior parte do trabalho profissional que faço, ela é mais que suficiente. Porém, a facilidade e imediatismo da fotografia digital fazem com que se creia que sua tecnologia compense a falta de conhecimento técnico e experiência prática. Como assim, podem perguntar alguns. Explico: Antigamente, uma pessoa que desejasse tirar fotos com alguma qualidade, precisaria de uma câmera SLR, e teria que, forçosamente, conhecer alguma coisa sobre seu funcionamento (foco, profundidade de campo, velocidade de obturador, abertura do diafragma, sensibilidade do filme, etc), o que, embora não garantisse de forma alguma que produziria boas fotos, ao menos fornecia alguns elementos básicos de linguagem. Este é um ponto importante, os elementos de linguagem da fotografia permanecem, independentemente da tecnologia, e não podem ser substituídos por nenhum software ou hardware, já que dependem da combinação de diversos fatores, que são gerenciados dentro da cabeça do fotógrafo, no momento do clique.

Entretanto, muitos acreditam que as limitações impostas pela necessiade de dominar os elementos de linguagem são intrinsecamente antidemocráticas, e crêem que a tecnologia permite facilitar o acesso de todos a áreas onde antes só uns poucos tinham acesso. Um exemplo é a produção gráfica. Hoje, qualquer um compra um PC, pirateia o Corel e vira “designer gráfico”. Nada contra. O problema é que o acesso a tecnologia não faz com que, automaticamente, este autodenominado designer adquira como que por mágica todo o conhecimento, sensibilidade e visão que um profissional do paradigma anterior tinha ao longo de seu aprendizado teórico e prático, como arte-finalista, fotógrafo, artista gráfico e assim por diante.

Enfim, jogou-se fora o bebê com a água do banho. Querem um exemplo de fotografia amadora de má qualidade vendida como produto profissional? Não é preciso procurar muito longe. E não se trata apenas de limitação técnica ou orçamentária. Vejam, por exemplo, as fotos que Ansel Adams fez com uma câmera “pinhole”,  que estão no seu livro “O Negativo“.  Em breve vou colocar umas imagens aqui para exemplificar o que digo.

Mas a fotografia não é a única, nem foi a primeira, das artesanias a sofrer com o tecnologismo deste novo século. Mas sem dúvida sofreu muito, como se pode ver na maior parte das galerias online. Felizmente, a própria tecnologia trata de, até certo ponto, fazer justiça aos bons artesãos. Quando consulto o Flickr, ou o Stock Exchange, sempre ordeno as fotos por qualificação, o que em geral elimina das primeiras páginas as fotografias dos “artistas contemporâneos” da fotografia.

Ainda não terminei, aguardem que em breve continuarei com este artigo. Aguardo também comentários.

 GustavoDantas Brum

Um comentário

  1. Gustavot
    Enviado Outubro 26, 2007 em 5:30 pm | Link Permanente | Responder

    Meu caro amigo, naveguei um pouco com dificuldade por seu blog, pois manejo ainda melhor os olhos e a tinta sobre uma tela de pano do que um mouse sobre um monitor, mas bastou-me para alegrar-me com a alegria e ao mesmo tempo a modéstia com que diculgas teu trabalho no “webspace”. Só quem sabe pode ser humilde”, como terá dito algum grego…

    Um grande abraço e sucesso, que é melhor que a fama!

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